O câncer de próstata é o tumor maligno mais frequente no homem brasileiro (excluindo pele não-melanoma), com estimativa de 71.730 novos casos em 2025 segundo o INCA. Quando diagnosticado precocemente, a taxa de sobrevida em 5 anos é superior a 99%. O rastreamento adequado e o diagnóstico precoce são fundamentais para o sucesso do tratamento.
Fatores de Risco
Idade
Risco aumenta após 50 anos. 60% dos casos em >65 anos.
Hereditariedade
Pai ou irmão com CaP: risco 2-3x maior. BRCA2: risco 5x maior.
Raça Negra
Incidência 1,7x maior. Doença mais agressiva e mortalidade 2,1x maior.
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de próstata segue uma sequência de etapas, desde o rastreamento até a confirmação histológica:
PSA + Toque Retal
Rastreamento inicial. PSA elevado e/ou toque retal alterado indicam necessidade de investigação. A decisão de rastrear deve ser compartilhada entre médico e paciente.
Fonte: EAU 2025 / AUA 2024
Ressonância Multiparamétrica (mpMRI)
Exame de imagem que avalia a próstata e classifica lesões pelo sistema PI-RADS (1-5). PI-RADS ≥3 indica necessidade de biópsia. Permite biópsia dirigida à lesão (fusion).
Fonte: EAU 2025
Biópsia de Próstata
Coleta de fragmentos para análise histológica. Pode ser transretal ou transperineal (preferida pela EAU 2025 por menor risco de sepse). Biópsia por fusão (MRI-targeted) aumenta a detecção de tumores clinicamente significativos.
Fonte: EAU 2025 / AUA 2024
Classificação Histológica
O patologista analisa os fragmentos e classifica pelo sistema de Gleason/ISUP. O grau ISUP (1-5) determina a agressividade do tumor e orienta o tratamento.
Fonte: Campbell-Walsh-Wein 13th Ed.
Classificação de Gleason e ISUP
| Grupo ISUP | Gleason | Risco | Significado |
|---|---|---|---|
| 1 | 3+3 = 6 | Baixo | Tumor bem diferenciado. Candidato a vigilância ativa. |
| 2 | 3+4 = 7 | Intermediário Favorável | Predominância de padrão 3. Bom prognóstico. |
| 3 | 4+3 = 7 | Intermediário Desfavorável | Predominância de padrão 4. Maior agressividade. |
| 4 | 4+4 = 8 | Alto | Tumor pouco diferenciado. Tratamento agressivo indicado. |
| 5 | 4+5 / 5+4 / 5+5 | Muito Alto | Tumor indiferenciado. Maior risco de metástase. |
Fonte: ISUP 2014 / EAU Guidelines 2025
Opções de Tratamento
O tratamento é individualizado conforme o estágio da doença, classificação de risco, idade, comorbidades e preferência do paciente:
Vigilância Ativa
Baixo RiscoPara tumores de baixo risco (ISUP 1, PSA <10, T1-T2a). Monitoramento com PSA, toque retal e biópsias periódicas. Evita tratamento desnecessário sem comprometer a cura. Recomendada pela EAU 2025 como opção preferencial para baixo risco.
Prostatectomia Radical
Baixo a Alto RiscoRemoção cirúrgica completa da próstata. Pode ser aberta, laparoscópica ou robótica (da Vinci). A via robótica oferece melhor visualização, menor sangramento e recuperação mais rápida. Indicada para doença localizada com expectativa de vida >10 anos.
Radioterapia
Baixo a Alto RiscoRadioterapia externa (IMRT/VMAT) ou braquiterapia. Pode ser combinada com hormonioterapia em casos de risco intermediário e alto. Resultados oncológicos semelhantes à cirurgia para doença localizada.
Hormonioterapia (ADT)
Intermediário a MetastáticoBloqueio androgênico por medicamentos que reduzem a testosterona. Usada em combinação com radioterapia ou como tratamento principal em doença metastática. Pode ser intermitente ou contínua.
Terapias Combinadas
Alto Risco / MetastáticoPara doença de alto risco e metastática: combinação de ADT + quimioterapia (docetaxel), ADT + novos agentes hormonais (abiraterona, enzalutamida, apalutamida, darolutamida) ou ADT + radioterapia.
Terapias Focais
Intermediário (selecionados)HIFU, crioterapia e terapia fotodinâmica. Tratam apenas a área do tumor, preservando tecido saudável. Ainda consideradas experimentais pela EAU 2025, mas com resultados promissores para doença unilateral de risco intermediário.
A Importância da Decisão Compartilhada
O tratamento do câncer de próstata deve ser uma decisão conjunta entre o paciente e o urologista. Cada opção terapêutica tem benefícios e efeitos colaterais específicos que devem ser discutidos abertamente.
Fatores como idade, expectativa de vida, comorbidades, preferências pessoais e impacto na qualidade de vida (continência urinária, função sexual) devem ser considerados. A discussão em equipe multidisciplinar (urologista, oncologista, radioterapeuta) é recomendada pela EAU 2025 para casos complexos.
Referências
- 1. EAU Guidelines on Prostate Cancer, 2025. European Association of Urology.
- 2. AUA/ASTRO/SUO Guideline on Clinically Localized Prostate Cancer, 2024.
- 3. INCA — Estimativa de Câncer no Brasil, 2025. Instituto Nacional de Câncer.
- 4. Campbell-Walsh-Wein Urology, 13th Edition — Chapters on Prostate Cancer. Elsevier, 2024.
- 5. NCCN Clinical Practice Guidelines — Prostate Cancer, Version 1.2025.
- 6. Mottet N, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. Eur Urol. 2025.
